3- Excesso no jogo
«No que toca aos jogos, há que evitar três coisas. A primeira e principal é que este deleite se busque em obras ou palavras torpes ou nocivas. A este respeito diz Cícero, (I De Offic.), que “há jogos que são grosseiros, insolentes, dissolutos e obscenos”. Em segundo lugar, há que evitar que a gravidade do espírito se perca totalmente. Por isso diz S. Ambrósio (I De Offic.): “Tenhamos cuidado que, aligeirando o peso do espírito, não percamos a harmonia formada pelo concerto das boas obras”. E também Cícero diz a este respeito, em I De Offic., que “assim como não permitimos a às crianças qualquer tipo de jogos, mas apenas aqueles que não são alheios às acções honestas, procuremos também que no nosso jogo haja uma chispa de engenho”. Em terceiro lugar há que procurar, como em todos os actos humanos, que o jogo se acomode à dignidade da pessoa e ao tempo, quer dizer, que seja “digno do tempo e do homem”, como diz Cícero na mesma passagem.» (ST II-II 168, 2)
«Considera-se excesso ao jogo tudo o que ultrapassa a norma da razão. Isto pode suceder de dois modos. Em primeiro lugar, nas acções que se realizam no jogo, quando é, segundo Cícero, “grosseiro, insolente, dissoluto e obsceno”; quer dizer, quando, por causa do jogo, têm lugar palavras ou acções torpes ou que fazem dano ao próximo em matéria grave. Nestes casos, o excesso no jogo é claramente pecado mortal.
«Em segundo lugar, pode haver excesso no jogo por mal nas circunstâncias devidas, como fazer uso dele em lugar ou tempo indevido ou faltar à conveniência da dignidade da pessoa ou profissão. Isto pode ser, em alguns casos, pecado mortal pelo excesso de paixão posta no jogo, cujo prazer se prefere ao amor a Deus, indo, portanto, contra os preceitos de Deus ou da Igreja. Às vezes, pelo contrário, é pecado venial, quando a afeição ao jogo não é tão grande que possa levar a cometer alguma acção contrária a Deus.» (ST II-II 168, 3) |