44- Bondade das relações sexuais

«Tal como é contrário à razão ter relações sexuais de forma a frustrar a geração e educação dos filhos, também é de acordo com a razão fazer uso delas de forma consistente com a procriação e a educação. Ora a lei divina proíbe apenas aquelas coisas que são contrárias à razão, como vimos antes. Portanto é errado dizer que toda a relação carnal é pecado.

«Também, visto que os membros do corpo são instrumentos da alma, o fim de cada membro, como de qualquer outro instrumento, é o seu uso. Ora o uso de alguns membros do corpo é a relação sexual. Por isso, a relação carnal é o fim de certos membros do corpo. Mas aquilo que é o fim de qualquer coisa natural não pode ser mau em si mesmo, pois aquilo que é de acordo com a natureza é dirigido para um fim pela divina providência, como foi dito antes. Portanto, a relação carnal não pode ser um mal em si mesma.

«Além disso, as inclinações naturais são implantadas nas coisas por Deus que faz todas as coisas. Portanto a inclinação natural de uma espécie não pode ser algo que seja mau em si mesmo. Ora em todos os animais perfeitos há uma inclinação natural para a relação sexual. Portanto a relação carnal não pode ser um mal em si mesmo.

«Além disso, aquilo que é uma condição necessária para algo bom e óptimo não pode ser um mal em si mesmo. Mas a preservação da espécie animal não pode ser duradoura excepto por meio da geração por relação sexual. Portanto, a relação sexual não pode ser um mal em si mesmo.» (CG III 126)

45- Sexo e indissolubilidade do matrimónio

«Como no ser humano todas as outras coisas devem estar subordinadas ao que é melhor nele, a união do homem e da mulher é ordenado pela lei não apenas para a procriação dos filhos, como nos outros animais, mas também para os bons costumes, que a recta razão ordena, quer no que toca à própria pessoa, quer enquanto membro da família privada e da comunidade civil. Ora a indissolubilidade da união do homem e da mulher pertence aos bons costumes. Porque o seu amor mútuo será mais fiel se eles sabem que estão indissoluvelmente unidos. Eles serão também mais cuidadosos na condução da sua casa quando têm consciência que vão permanecer para sempre juntos em posse das mesmas coisas.

«Também isto evita a origem de discussões que podem aparecer entre o marido e os parentes da mulher, se ele a repudiasse. E assim se torna mais forte a amizade entre os próximos. Além disso, isto remove as ocasiões de adultério que ocorreriam se o marido fosse livre de abandonar a mulher ou vice-versa, pois isso encorajaria a busca de casamentos alheios». (CG III 123)