18- Tudo é bom por Deus

«Todo o ser é chamado bom em razão da bondade divina, como primeiro princípio exemplar, eficiente e finalizador de toda a bondade. Além disso, cada realidade é dita boa ainda por uma semelhança da bondade divina que lhe é inerente, e que é formalmente a bondade dela, aquela em razão da qual ela é dita boa. Assim, portanto, há uma bondade única em todas as coisas e há uma multiplicidade de bondades.» (ST I 6, 4)

70- O bem e o ser

«O bem e o ser realmente são o mesmo. Só se diferenciam numa distinção de razão. Isto demonstra-se do seguinte modo. A razão de bem consiste em que algo seja desejável. O Filósofo diz em I Ethic. que o bem é“o que todos desejam”. É evidente que o desejável só o é enquanto é perfeito, pois todos desejam a sua perfeição. Mas algo só é perfeito na medida em que está em acto. Portanto é evidente que algo é bom na medida em que existe; pois é na medida em que existem que todas as coisas estão em acto, como se desprende do que ficou dito anteriormente (q.3 a.4; q.4 a.1 ad 3). Assim resulta evidente que o bem e o ser são realmente o mesmo; mas do bem se pode dizer que é apetecível, coisa que não se diz do ser.» (ST I 5, 1)

71- O verdadeiro e o bem

«Tal como se chama “bem” àquilo para que tende o apetite, chama-se “verdadeiro” àquilo para que tende o intelecto. A diferença entre o apetite e o intelecto, ou qualquer outro tipo de conhecimento, está em que o conhecimento supõe que o conhecido está em quem conhece; enquanto o apetite supõe que quem apetece tende para o apetecido. Deste modo, o fim do apetite, que é o bem, está no apetecido; mas o fim do conhecimento, que é o verdadeiro, está no próprio intelecto. Ora o bem está na coisa enquanto ela está relacionada com o apetite; e por isso a razão de bondade deriva da coisa apetecida para o apetite pelo qual, se é apetite do bem, se chama apetite bom. Assim também, como o verdadeiro está no intelecto enquanto há conformidade entre este e o conhecido, é necessário que a razão de verdadeiro derive do intelecto para o conhecido, como também se chama verdadeira aquela coisa conhecida enquanto que tem alguma relação com o intelecto. (...) Quando se diz: Verdade é a adequação entre a coisa e o intelecto, isto inclui os aspectos indicados.» (ST I 16, 1)

72- Ser, bem e verdadeiro

«O bem, o verdadeiro e o ser não são senão uma única realidade, mas eles diferem do ponto de vista da razão» (ST I-II 29, 5)

73- Belo e o bem

«O belo é o mesmo que o bem, com a única diferença de razão. Com efeito, sendo o bem o que desejam todas as coisas, pertence à razão de bem que nele repouse o apetite. Mas pertence à razão do belo que com a sua vista ou conhecimento se descanse o apetite. Por isso se referem principalmente ao belo aqueles sentidos que são mais cognoscitivos, como a vista e o ouvido ao serviço da razão, pois falamos de belas vistas e belos sons. Por outro lado, no que respeita aos sensíveis dos outros sentidos não empregamos o nome de beleza, pois não dizemos belos sabores ou belos odores. Assim fica claro que a beleza acrescenta ao bem certa ordem à faculdade cognoscitiva, de maneira que se chama bem ao que agrada em absoluto ao apetite, e belo àquilo cuja apreensão agrada.» (ST I-II 27, 1, 3)

74- Belo espiritual

«Deus é chamado belo como causa da harmonia e do brilho do universo. Por isso a beleza do corpo consiste em que o homem tenha os membros corporais bem proporcionados, com um certo esplendor de cor conveniente. De igual modo, a beleza espiritual consiste em que a condu ta do homem, quer dizer as suas acções, seja proporcionada segundo o esplendor espiritual da razão. Ora isto pertence à razão de honesto, o qual já dissemos (a.1), que coincide com a virtude, a qual modera todas as coisas humanas conforme à razão. Daqui que diga S. Agostinho no livro Octoginta trium Quaest.: “Consideramos honesta a beleza inteligível, à qual chamamos, com razão, espiritual”. E mais adiante acrescenta: “Há muitas coisas visíveis belas, às quais chamamos honestas com menos propriedade.”» (ST II-II 145, 2)