115- Prudência e moral

«A prudência é a virtude mais necessária à vida humana. Viver bem consiste de facto em agir bem. Ora para agir bem é preciso não só fazer qualquer coisa, mas fazê-lo como deve ser, quer dizer é preciso agir de acordo com uma escolha bem regulada e não apenas por impulsão ou por paixão. Mas, como a escolha é sobre os meios em vista de um fim, a sua rectidão exige duas coisas: o fim que é devido, e os meios adaptados a esse fim. No que toca ao fim que é devido, somos justamente dispostos a ele pela virtude [moral] que aperfeiçoa a parte apetitiva da alma, cujo objecto é o bem e o fim. Mas, no que toca aos meios ordenados a esse fim, é preciso que sejamos directamente preparados por um hábito da razão, pois deliberar e escolher, que são operações relativas aos meios, são actos da razão. E é por isso que é necessário que exista na razão uma virtude intelectual que lhe dê suficiente perfeição para se comportar bem em relação aos meios a tomar. Esta virtude é a prudência. Assim, a prudência é uma virtude necessária para bem viver» (ST I-II 57, 5)