112- Obtenção das virtudes
«Como foi dito, a virtude vem aperfeiçoar o homem em vista do bem. Ora o bem consiste essencialmente, diz S. Agostinho “na medida, na beleza, e na ordem” ou, segundo a Sabedoria (Sb 11, 20) na “conta, peso e medida”. É preciso pois que o bem do homem seja visto segundo uma regra. Esta regra é dupla, como dissemos, é a razão humana e a lei divina. E como a lei divina é uma regra superior, estende-se a mais coisas, de forma que tudo o que é regulado pela razão humana o é também pela lei divina, mas não o recíproco.
«Portanto, a virtude do homem ordenada ao bem que é medido segundo a regra da razão humana pode ser causada por actos humanas, na medida em que esses actos procedem da razão, sob cujo poder e regra se realiza o bem pretendido. Pelo contrário, a virtude que ordena o homem ao bem medido pela lei divina e não mais pela razão humana, esta virtude não pode ser causada por actos humanos, cujo princípio é a razão; mas ela é causada em nós unicamente pela operação divina.» (ST I-II 63, 2) |