108- Caridade e virtudes, soberba e vícios
«Considera-se que, como diz S. Agostinho no livro XIV de Civit. Dei , tal como o amor de Deus constrói a cidade de Deus, também o amor desordenado de si mesmo constrói a cidade de Babilónia. E tal como no amor de Deus, o próprio Deus é o fim último para que estão ordenadas todas as coisas que amam com um recto amor, também no amor da própria excelência um fim último é encontrado, para o qual todas as coisas são ordenadas. Pois o que busca abundar em riquezas ou em conhecimentos ou em honras ou em qualquer outra coisa, em todas essas coisas busca uma certa excelência.
«Mas deve notar-se que em todas as artes e hábitos operativos, essa arte ou hábito a que pertence o fim, pelo seu comando move as outras artes ou hábitos que tratam daquelas coisas que existem para esse fim. Por exemplo, a arte de navegação, que trata do uso do navio, que é o fim , dá ordens à arte de construção naval, e do mesmo modo nas outras artes.
«Assim também a caridade, que é o amor de Deus, governa todas as outras virtudes. E assim, embora a caridade seja uma virtude especial se for considerado o seu objecto próprio, ela é comum a todas as virtudes de acordo com uma certa extensão do seu domínio. Portanto, a caridade é chamada “a forma e mãe de todas as virtudes”.
«De forma semelhante, a soberba, embora seja um pecado especial de acordo com a natureza do seu objecto próprio, de acordo com uma certa extensão do seu domínio, é um pecado comum a todos os pecados. Por isso ela é também chamada “a raiz e rainha de todos os pecados”, como é claramente dito por S. Gregório em Moralia XXXI» (De Malo VIII 2) |