114- Virtudes teologais
«O meio da virtude toma-se em conformidade com a sua regra ou medida, enquanto se pode ultrapassar ou não alcançar. Pois bem, com respeito à virtude teologal pode-se falar de uma dupla medida. Uma na razão mesma de virtude; e aí a medida e a regra da virtude teologal é o próprio Deus, pois a nossa fé tem por regra a verdade divina; a caridade, a divina bondade; e a esperança, a magnitude da sua omnipotência e misericórdia. E esta é uma medida que excede toda a faculdade humana. Por isso nunca pode o homem amar a Deus tanto quanto deve ser amado; nem pode crer e esperar n’Ele tanto quanto deve. Logo muito menos pode haver nisso excesso. E assim o bem de tal virtude não consiste no meio, mas é tanto melhor quanto mais se aproxima do supremo.
«Mas outra regra ou medida da virtude teologal toma-se da nossa parte, porque, não nos podendo aproximar de Deus tanto quanto devemos, devemos, no entanto, aproximar-mo-nos d’Ele, crendo, esperando e amando, na medida da nossa condição. Daí que acidentalmente, pela nossa parte, podem encontrar-se meios e extremos na virtude teologal.» (ST I-II 64, 4) |