10- Oração antes de estudar

Creator ineffabilis, qui de thesauris sapientiae tuae tres Angelorum hierarchias designasti, et eas super caelum empyreum miro ordine collocasti, atque universi partes elegantissime disposuisti, tu inquam qui verus fons luminis et sapientiae diceris atque supereminens principium infundere digneris super intellectus mei tenebras tuae radium claritatis, duplices in quibus natus sum a me removens tenebras, peccatum scilicet et ignorantiam.
Tu, qui linguas infantium facis disertas, linguam meam erudias atque in labiis meis gratiam tuae benedictionis infundas. Da mihi intelligendi acumen, retinendi capacitatem, addiscendi modum et facilitatem, interpretandi subtilitatem, loquendi gratiam copiosam. Ingressum instruas, progressum dirigas, egressum compleas. Tu qui es verus Deus et homo, qui vivis et regnas in saecula saeculorum. Amen
Criador inefável, que dos tesouros da vossa sabedoria elegestes três hierarquias de Anjos e as estabelecestes numa ordem admirável acima dos céus, e dispusestes com tanta beleza as partes do universo; Vós que sois chamado a Fonte verdadeira e o Princípio sobreeminente da Luz e da Sabedoria, dignai-vos enviar sobre as trevas da minha inteligência um raio da vossa claridade, afastando de mim a dupla obscuridade na qual nasci, a do pecado e a da ignorância.
Vós que tornais eloquente a língua das crianças, formai a minha palavra e deitai sobre os meus lábios a graça da vossa benção. Dai-me a penetração para compreender, a capacidade de reter, a maneira e a facilidade de estudar, a subtileza para interpretar e uma graça abundante para falar. Disponde o começo, dirigi o avanço, cumpri o acabamento; Vós que sois verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amen

33- Oração

Adoro te devote

Adoro te devote, latens Deitas,
Quæ sub his figuris vere latitas:
Tibi se cor meum totum subiicit,
Quia te contemplans totum deficit.

Visus, tactus, gustus in te fallitur,
Sed auditu solo tuto creditur.
Credo quidquid dixit Dei Filius:
Nil hoc verbo Veritatis verius.

In cruce latebat sola Deitas,
At hic latet simul et humanitas;
Ambo tamen credens atque confitens,
Peto quod petivit latro pænitens.

Plagas, sicut Thomas, non intueor;
Deum tamen meum te confiteor.
Fac me tibi semper magis credere,
In te spem habere, te diligere.

O memoriale mortis Domini!
Panis vivus, vitam præstans homini!
Præsta meæ menti de te vivere
Et te illi semper dulce sapere.

Pie pellicane, Iesu Domine,
Me immundum munda tuo sanguine.
Cuius una stilla salvum facere
Totum mundum quit ab omni scelere.

Iesu, quem velatum nunc aspicio,
Oro fiat illud quod tam sitio;
Ut te revelata cernens facie,
Visu sim beatus tuæ gloriæ.
Amen.
Adoro-te devotamente, divindade escondida,
Que sob esta figura verdadeiramente Te escondes:
A Ti o meu coração se submete,
Porque te contemplando tudo falta.

Visão, tacto e paladar em Ti falham,
Só o ouvido tudo crê.
Creio em tudo o que disse o Filho de Deus:
A verdade da Verdade é melhor recebida.

Na cruz escondia-se só a divindade,
Mas aqui esconde-se também a humanidade;
No entanto ambos acredito e confesso,
Peço o que pedia o ladrão penitente.

Chagas, como Tomé viu, não vejo,
Mas, meu Deus, em Ti confio.
Faz-me sempre mais em Ti acreditar,
Em Ti esperar, Te amar.

Oh memorial da morte do Senhor!
Pão vivo, vida dás ao homem!
Concede à minha alma de Ti viver,
Pelo Teu sabor sempre ser alimentado.

Senhor Jesus, pio pelicano,
A mim imundo lava o Teu sangue.
Do qual uma só gota chega para salvar
Todo o mundo de todos os pecados.

Jesus, que velado agora contemplo,
Rezo para que se faça o que tanto anseio;
Que a Tua face revelada eu olhe.
E bem-aventurado veja a Tua glória.
Amen.

34- Entrega ao Corpo de Deus

Oração à hora da morte

«Sumo te pretium redemptionis anime mee, sumo te viaticum peregrinationis mee, pro cuius amore studui, vigilavi et laboravi; te predicavi, te docui, nichil umquam contra te dixi, sed si quid dixi, ignorans dixi nec sum pertinax in sensu meo; sed si quid male dixi de hoc sacramento et aliis, totum relinquo correctioni sancte Romane Ecclesie, in cuius obedientia nunc transeo ex hac vita» «Recebo-Te a Ti, preço da redenção da minha alma. Recebo-Te a Ti, viático da minha peregrinação, por cujo amor estudei, vigiei, trabalhei, preguei e ensinei. Nunca disse nada contra Ti. Se o fiz, foi por ignorância, e não sou persistente na minha opinião. Mas o que de mal eu disse deste sacramento ou de outras coisas, tudo entrego à correcção da santa Igreja Romana, de cuja obediência eu nunca me desviei nesta vida»

35- Hino ao Corpo de Deus

Hino de Vésperas - Pange lingua gloriosi

Pange lingua gloriosi
Corporis mysterium,
Sanguinisque pretiosi,
Quem in mundi pretium
Fructus ventris generosi
Rex effudit Gentium.

Nobis datus,nobis natus
Ex intacta Virgine,
Et in mundo conversatus,
Sparso verbi semine,
Sui moras incolatus
Miro clausit ordine.

In supremae nocte coenae,
Recumbens cum fratribus
Observata lege plene
Cibis in legalibus,
Cibum turbae duodenae
Se dat suis manibus.

Verbum caro panem verum,
Verbo carnem efficit;
Fitque sanguis Christi merum:
Et si sensus deficit,
Ad firmandum cor sincerum
Sola fides sufficit.

Tantum ergo sacramentum
Veneremur cernui.
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui:
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui.

Genitori genitoque
Laus et iubilatio,
Salus, honor, virtus quoque
Sit et benedictio.
Procedenti ab utroque
Compar sit laudatio. Amen.

Canta, oh língua, a glória
Do mistério do Corpo
e do Sangue preciosos
Que para redenção do mundo,
Fruto do ventre generoso,
O Rei dos povos derramou.

A nós dado, para nós nascido
Da Virgem pura imaculada.
Conversando pelo mundo,
A semente da Palavra espalhou.
O Seu longo exílio
Em ordem maravilhosa encerrou.

Na noite da suprema Ceia
Reclinado com os irmãos,
Cumprindo a plenitude da Lei,
Comeu o alimento legal
E em alimento aos Doze
Deu-se por Suas próprias mãos.

O Verbo feito carne, o pão verdadeiro
em carne pelo Seu Verbo transformou;
E o Sangue de Cristo também em vinho.
Se os sentidos falham,
para firmar o coração sincero,
basta apenas a Fé.

Portanto, um tal sacramento
Veneremos prostrados
E o antigo documento
Ceda ao novo rito;
Preste a fé o suplemento
À falha dos sentidos.

Ao Pai e ao Filho,
Louvor e júbilo,
Glória, honra, virtude
E benção.
E Àquele que dos dois procede
O louvor seja igual. Amen.

188- Hino ao Corpo de Deus

Hino do Ofício de Leitura - Sacris solemniis iuncta sint gaudia

Sacris solemniis iuncta sint gaudia,
Et ex praecordiis sonent praeconia,
Recedant vetera, nova sint omnia,
Corda, voces et opera.

Noctis recolitur coena novissima,
Qua Christus creditur agnum et azyma
Dedisse fratribus iuxta legitima
Priscis indulta patribus.

Post agnum typicum expletis epulis,
Corpus dominicum datum discipulis
Sic totum omnibus quod totum singulis,
Eius fatemur manibus.

Dedit fragilibus corporis ferculum,
Dedit et tristibus sanguinis poculum,
Dicens: accipite quod trado vasculum,
Omnes ex eo bibite.

Sic sacrificium istud instituit,
Cuius officium committi voluit
Solis presbyteris, quibus sic congruit,
Ut sumant, et dent ceteris.

Panis angelicus fit panis hominum,
Dat panis caelicus figuris terminum.
O res mirabilis! Manducat dominum
Pauper, servus et humilis.

Te trina deitas unaque poscimus,
Sic nos tu visita, sicut te colimus:
Per tuas semitas duc nos quo tendimus
Ad lucem quam inhabitas. Amen.

Que as festas solenes se juntem à alegria
E os coros façam soar cânticos
Recue o velho e tudo seja novo,
Corações, vozes e obras.

Lembrem-se que na noite da última ceia
Onde Cristo o cordeiro e os ázimos,
Ofereceu aos irmãos segundo a Lei
Que recebera dos Patriarcas.

Terminada a festa do cordeiro pascal,
O corpo do Senhor dado aos discípulos:
Deu-se todo a todos e a cada um
Por Suas mãos. Isso o confessamos.

Aos frágeis deu o corpo em alimento;
Aos tristes deu o Seu sangue na taça;
Dizendo: aceitam o que vos entrego;
Dele todos bebei.

Assim este sacrifício instituiu
Cujo ofício nos quis entregar,
Só o sacerdote, a quem pertence,
Para que todos comam, aos outros o dá.

O pão dos anjos feito pão dos homens,
O pão do Céu realiza as antigas imagens
Oh coisa maravilhosa: comem o Senhor,
O pobre, o servo, o humilde.

A ti, divindade trina e una oramos,
Assim nos visitas, assim te honramos
Pelas Tuas vias nos conduz,
À luz em que habitas. Amen.

189- Hino ao Corpo de Deus

Hino de Laudes - Verbum supernum prodiens

Verbum supernum prodiens,
Nec Patris liquens dexteram,
Ad opus suum exiens,
Venit ad vitae vesperam.

In mortem a discipulo
Suis tradendus aemulis,
Prius in vitae ferculo
Se tradidit discipulis.

Quibus sub bina specie
Carnem dedit et sanguinem;
Ut duplicis substantiae
Totum cibaret hominem.

Se nascens dedit socium,
Convescens in edulium,
Se moriens in pretium,
Se regnans dat in praemium.

O salutaris hostia,
Quae coeli pandis ostium,
Bella premunt hostilia,
Da robur, fer auxilium.

Uni trinoque Domino,
Sit sempiterna gloria:
Qui vitam sine termino
Nobis donet in patria. Amen.

O Verbo do Céu procedendo
Sem nunca deixar a direita do Pai,
Veio cumprir a sua obra,
Chegando ao declinar da vida.

À morte por um discípulo
Entregue aos seus inimigos,
Antes em alimento de vida,
Se entrega aos discípulos.

A eles sob duas espécies,
Deu a Sua carne e sangue:
Assim em duas substâncias
O homem todo alimentou.

Nascendo, deu-se por companheiro;
Partilhou-se em alimento;
Morrendo deu-se em redenção;
Reinando dá-nos o prémio.

Oh vítima salvadora
Que as portas do Céu escancaras,
Os nossos inimigos nos dão guerra,
Dá força, concede auxílio.

Ao Deus uno e trino,
Se dê eterna glória;
Que a vida sem fim
Nos conceda na Pátria celeste. Amen.

190- Hino ao Corpo de Deus

Sequência da Missa - Lauda Sion Salvatorem

Lauda Sion Salvatorem,
Lauda ducem et pastorem,
In hymnis et canticis.

Quantum potes, tantum aude:
Quia major omni laude,
Nec laudare sufficis.

Laudis thema specialis,
Panis vivus et vitalis
Hodie proponitur.

Quem in sacrae mensa coenae
Turbae fratrum duodenae
Datum non ambigitur.

Sit laus plena, sit sonora,
Sit jucunda, sit decora,
Mentis jubilatio.

Dies enim solemnis agitur,
In qua mensae prima recolitur
Hujus institutio.

In hac mensa novi Regis,
Novem Pascha novae legis,
Phase vetus terminat.

Vetustatem novitas,
Umbram fugat veritas,
Noctem lux eliminat.

Quod in coena Christus gessit,
Faciendum hoc expressit
In sui memoriam.

Docti sacris institutis,
Panim, vinum in salutis
Consecramus hostiam.

Dogma datur Christianis,
Quod in carem transit panis,
Et vinum in sanguinem.

Quod non capis, quod non vides,
Animosa firmat fides,
Praeter rerum ordinem.

Sub diversis speciebus,
Signis tantum, et non rebus,
Latent res eximiae.

Caro cibus, sanguis potus:
Manet tamen Christus totus,
Sub utraque specie.

A sumente non concisus,
Non confractus, non divisus:
Integer accipitur.

Sumit unus, sumunt mille:
Quantum isti, tantum ille:
Nec sumptus consumitur.

Sumunt boni, sumunt mali:
Sorte tamen inaequali,
Vitae, vel iteritus.

Mors est malis, vita bonis:
Vide paris sumptionis,
Quam sit dispar exitus.

Fracto demum Sacramento
Ne vacilles, sed memento,
Tantum esse sub fragmento,
Quantum toto tegitur.

Nulla rei fit scissura:
Signi tantum fit fractura:
Qua nec status, nec statura
Signati minuitur.

Ecce panis angelorum,
Factus cibus viatorum:
Vere panis filiorum,
Non mittendus canibus.

In figuris praesignatur,
Cum Isaac immolatur:
Agnus Paschae deputatur:
Datur manna patribus.

Bone Pastor, panis vere,
Jesu, nostri miserere:
Tu nos pasce, nos tuere:
Tu nos bona fac videre
In terra viventium.

Tu qui cuncta scis et vales:
Qui nos pascis hic mortales:
Tuos ibi commensales,
Cohaeredes et sodales
Fac sanctorum civium. Amen.

Louva Sião o salvador
Louva o Rei e o Pastor,
Com hinos e cânticos.

Canta tanto quanto puderes,
Porque Ele é maior que todo o louvor
Nenhum dos louvores Lhe chegará.

O tema do louvor especial,
O Pão vivo e vivificante.
Hoje é proposto:

Que na santa mesa da Ceia
Ao grupo dos doze irmãos
Foi dado sem ambiguidade.

Seja o louvor pleno, seja sonoro;
Seja alegre e harmonioso
O júbilo da nossa mente:

Pois o dia em que solenemente
Na mesa pela primeira vez
Lembramos esta instituição.

Nesta mesa do novo Rei,
A nova Páscoa, a nova Lei
Fez terminar o velho:

O velho ao novo deu lugar,
A sombra fugiu perante a verdade,
A noite à luz foi eliminada.

O que na ceia Cristo fez
Nós o devemos fazer
Em sua memória.

Ensinados por esta sagrada instituição
Pão e vinho em salvação,
Consagramos a vítima.

Este dogma é dada aos cristãos:
Que em carne se transforma o pão,
E em sangue o vinho:

Aquilo que não entendes, que não vês,
Uma fé viva afirma
Para lá da ordem das coisas.

Em diversas espécies,
Como sinais e não coisas,
Coisas excelentes se escondem

Carne é comida, sangue bebida
Permanece Cristo todo
Sob ambas as espécies.

A quem recebe deixado inteiro
Não partido, não dividido;
Totalmente recebido:

Recebem um, recebem mil,
Tanto este como aquele:
Tomado não é consumido.

Recebem os bons, recebem os maus:
Mas a sua sorte é desigual,
Vida ou perdição;

Morte aos maus, vida aos bons;
Vê como os que recebem igualmente,
Terminam em fins tão diferentes!

Enfim o sacramento partido,
Não vaciles mas lembra-te:
Todo estás em cada fragmento,
Como no todo inicial:

Pois nenhuma coisa é cortada
Só na aparência é partida,
Pois nem no estado nem na estatura
O que é significado diminui.

Eis o pão dos anjos
Feito alimento do viajante
O verdadeiro pão dos filhos
Que não se atira aos cães:

Que em figura foi contemplado,
Em Isaac conduzido à imolação,
No cordeiro pascal indicado,
Dado no maná aos Patriarcas.

Bom Pastor, pão verdadeiro,
Senhor Jesus tem piedade de nós,
Alimenta-nos, guarda-nos,
Faz-nos ver os bens verdadeiros
Na terra dos vivos.

Tu que tudo sabes e tudo podes
Que nos alimentas aqui, mortais,
Faz-nos sentar à Tua mesa,
Co-herdeiros e companheiros,
Na cidade dos santos. Amen.

207- Oração

O beatissima et dulcissima Virgo Maria, Mater Dei omni pietate plenissima, summi Regis Filia, Domina Angelorum, Mater omnium credentium in sinum pietatis tuae commendo hodie et omnibus diebus vitae meae corpus meum et animam meam, omnesque actus meos, cogitationes, voluntates, desideria, locutiones, operationes, omnemque vitam, finemque meum: ut per tua suffragia disponantur in bonum, secundum voluntatem dilecti Filii tui Domini Nostri Jesu Christi: ut sis mihi, o domina mea sanctissima, adjutrix et consolatrix contra insidias et laqueos hostis antiqui, et omnium inimicorum meorum.

A dilecto Filio tuo Domino Nostro Jesu Christo mihi impetrare digneris gratiam cum qua potenter resistere valeam tentationibus mundi, carnis et daemonis, ac semper habere firmum propositum ulterius non peccandi; sed in tuo et dilecti Filii tui servitio perseverandi. Deprecor te etiam, Domina mea sanctissima, ut impetres mihi veram obedientiam et veram cordis humilitatem, ut veraciter me agnoscam miserum ac fragilem peccatorem et impotentem non solum ad faciendum quodcumque opus bonum, sed etiam ad resistendum continuis impugnationibus, sine gratia et adjutorio Creatoris mei, et sanctis precibus tuis. Impetra mihi etiam, o Domina mea dulcissima, perpetuam mentis et corporis castitatem: ut puro corde et casto corpore, dilecto Filio tuo et tibi in tuo Ordine valeam deservire.

Obtine mihi ab eo voluntariam paupertatem cum patientia et mentis tranquillitate, ut labores ejusdem ordinis valeam sustinere, et pro salute propria et proximorum valeam laborare. Impetra mihi etiam, o dulcissima Domina, charitatem veram, qua sacratissimum Filium tuum Dominum Nostrum Jesum Christum toto corde diligam: et te post ipsum super omnia; et proximum in Deo et propter Deum. Sicque de bono ejus gaudeam, de malo doleam, nullumque contemnam, neque temerarie judicem, neque in corde meo alicui me praeponam.

Fac etiam, o Regina Caeli, ut dulcissimi Filii tui timorem pariter et amorem semper in corde meo habeam; et de tantis beneficiis mihi, non meis meritis, sed ipsius benignitate collatis, semper gratias agam: ac de peccatis meis puram et sinceram confessionem, et veram poenitentiam faciam, ut suam consequi merear misericordiam et gratiam.

Oro etiam, ut in fine vitae meae, Caeli Porta et peccatorum Advocata, me indignum servum tuum a sancta Fide catholica deviare non permittas; sed tua magna pietate et misericordia mihi succurras, et a malis spiritibus me defendas: ac benedicta Filii tui gloriosa Passione, etiam in tua propria intercessione spe accepta, veniam de peccatis meis ab eo mihi impetres, atque me, in tua et ejus dilectione morientem, in viam salvationis et salutis dirigas. Amen.

Oh santíssima e dulcíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, cheia de toda a piedade, Filha do sumo Rei, Senhora dos Anjos, Mãe de todos os crentes, neste dia e em todos os dias da minha vida eu confio ao vosso coração misericordioso, o meu corpo e a minha alma, todos os meus actos, pensamentos, escolhas, desejos, palavras e operações, toda a minha vida e a minha morte, para que, com a vossa assistência, tudo seja ordenado para o bem, de acordo com a vontade do vosso Filho muito amado, Nosso Senhor Jesus Cristo. Sede para mim, oh Senhora minha santíssima, aliada e consoladora contra os estratagemas e armadilhas do antigo inimigo e de todos os meus inimigos.

Ao vosso amado Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, pedi para mim a graça de resistir firmemente às tentações do mundo, da carne e do demónio, e o firme propósito de não mais pecar, e de perseverar no vosso serviço e no serviço do vosso amado Filho. Também vos imploro, Senhora minha santíssima, que me obtenhais verdadeira obediência e verdadeira humildade de coração, para que eu me reconheça verdadeiramente como miserável e frágil pecador e impotente, não só para fazer qualquer tipo de boas obras, mas até para resistir aos assaltos contínuos do mal, sem a graça e ajuda do meu Criador e sem as vossas santas orações. Obtende-me também, oh Senhora minha santíssima, pura e perpétua pureza de espírito e corpo, para que, com um coração puro e um corpo casto, possa ser fortalecido para servir-vos a vós e a vosso amado Filho na Ordem Dominicana.

Dele obtende para mim um espírito de pobreza, voluntariamente aceite com paciência e tranquilidade de espírito, para que eu tenha força para suportar os trabalhos desta ordem e para trabalhar na minha salvação e na dos meus próximos. Obtende para mim também, oh Senhora dulcíssima, a verdadeira caridade pela qual, das profundezas do meu coração, eu possa amar o vosso santíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, e após ele, amar-vos a vós acima de todas as outras coisas e amar o meu próximo em Deus e por causa de Deus. Assim possa eu, alegrar-me na sua bondade, sofrer nos seus males, nunca desprezar ninguém, nunca julgar precipitadamente, e nunca no meu coração exaltar-me acima de alguém.

Concedei-me, oh Rainha dos Céus, que eu tenha sempre no meu coração temor e amor igual pelo vosso dulcíssimo Filho e que eu dê sempre acções de graças pelas muitas bênçãos que me foram atribuídas apenas pela sua generosidade. E que eu faça sempre uma confissão pura e sincera e uma penitência verdadeira pelos meus pecados, e assim mereça obter a sua misericórdia e graça.

Rezo também para que, no fim da minha vida, vós, Mãe incomparável, Porta do Céu e Advogada dos pecadores, não permitais que eu, vosso servo indigno, me afaste da santa Fé católica, mas que me protejais com a vossa grande piedade e misericórdia, defendendo-me dos espíritos maus e obtendo para mim, pela bendita e gloriosa Paixão do vosso Filho e pela vossa intercessão, recebida na esperança, o perdão dos meus pecados. Quando eu morrer no vosso e no Seu amor, que Vós me dirijais pelo caminho da salvação e benção. Amen

221- Oração

Concede mihi, misericors Deus, quae tibi sunt placita, ardenter concupiscere, prudenter investigare, veraciter agnoscere, et perfecte adimplere. Ad laudem et gloriam nominis tui ordina, Deus meus, statum meum. Et quod a me requiris ut faciam, tribue ut sciam. Et da exsequi, sicut oportet et expedit animae meae. Da mihi, Domine Deus meus, inter prospera et adversa non deficere,ut in illis non extollar et in istis non deprimar. De nullo gaudeam vel doleam, nisi quod ducat ad te vel abducat a te. Nulli placere appetam vel displicere timeam, nisi tibi.

Villescant mihi, Domine, omnia transitoria, et cara mihi sint omnia aeterna. Taedeat me gaudii quod est sine te, nec aliud cupiam quod est extra te. Delectet me, Domine, labor, qui est pro te, et taediosa sit mihi omnis quies quae est sine te.

Da mihi, Deus meus, cor meum ad te dirigere et in defectione mea cum emendationis proposito constanter dolere. Fac me, Domine Deus meus, obedientem sine contradictione, pauperem sine dejectione, castum sine corruptione, patientem sine murmuratione, humilem sine fictione, hilarem sine dissolutione, maturum sine gravedine, agilem sine levitate, timentem te sine desperatione, veracem sine duplicitate, operantem bona sine praesumptione, proximum corripere sine elatione, ipsum aedificare verbo et exemplo sine simulatione.

Da mihi, Domine Deus, cor pervigil, quod nulla abducat a te curiosa cogitatio. Da nobile, quod nulla deorsum trahat indigna affectio. Da rectum, quod nula seorsum obliquet sinistra intentio. Da firmum, quod nulla frangat tribulatio. Da liberum, quod nulla sibi vindicet violenta affectio.

Largire mihi, Domine Deus meus, intellectum te cognoscentem, diligentiam te quaerentem, sapientiam te invenientem, conversationem tibi placentem, perseverantiam fidentem te expectantem, et fiduciam te finaliter amplectentem.

Da tuis poenis hic affligi per poenitentiam, tuis beneficiis in via uti per gratiam, tuis gaudiis in patria perfrui per gloriam. Qui vivis et regnas, Deus, per omnia saecula saeculorum.
Amen.

Concedei, Deus misericordioso, que tudo o que vos agrada, eu ardentemente o deseje, prudentemente o busque, verdadeiramente o reconheça e perfeitamente o conclua. Para louvor e glória do Vosso nome ordenai, Deus meu, a minha vida. Concedei que eu reconheça o que de mim desejais. Atribuí-me o poder para cumprir a Vossa vontade, como é necessário e conveniente para a salvação da minha alma. Concedei-me, Senhor Deus meu, que eu não fraqueje nos momentos de prosperidade ou de adversidade, para que não seja exaltado nos primeiros, nem abatido nos segundos. Que eu não me alegre em nada, a não ser que me conduza a Vós, nem me entristeça de nada, a não ser que me afaste de Vós. Que eu não deseje agradar a ninguém, nem tema desagradar a alguém, senão Vós.

Que todas as coisas transitórias, Senhor, sejam inúteis para mim, e que todas as coisas eternas sejam sempre estimadas por mim. Que toda a alegria sem Vós me seja pesada, e que eu não deseje nada mais fora de Vós. Que me delicie, Senhor, todo o trabalho por Vós e me aborreça todo o repouso sem Vós.

Concedei-me, meu Deus, que dirija o meu coração para Vós. E que nos meus falhanços, eu sinta remorso pelos meus pecados, sempre com propósito de emenda. Fazei-me, Senhor Deus meu, submisso sem contradição, pobre sem desânimo, casto sem corrupção, paciente sem murmuração, humilde sem fingimento, alegre sem frivolidade, maduro sem melancolia, ágil sem insolência, temente sem desespero, verdadeiro sem duplicidade, activo nas boas acções sem presunção, corrector do próximo sem arrogância e que, sem hipocrisia, o edifique pela palavra e pelo exemplo.

Concedei-me, Senhor Deus, um coração vigilante, que nenhum pensamento caprichoso afaste de Vós; um coração nobre, que nenhum desejo indigno possa degradar; um coração recto, que nenhuma intenção vil possa desviar; um coração firme, que nenhuma tribulação possa vencer; um coração temperante, que nenhuma paixão violenta possa escravizar.

Concedei-me, Senhor Deus meu, inteligência para Vos conhecer, diligência para Vos buscar, sabedoria para Vos encontrar, conversação que Vos agrade, perseverança para Vos esperar e confiança de finalmente Vos abraçar.

Concedei-me as Vossas penas para que agora me aflijam por penitência, as Vossas bênçãos para que no caminho me segurem por graça, e as Vossas alegrias para que na pátria eu as desfrute por glória. Vós que viveis e reinais, Deus, pelos séculos dos séculos. Amen