175- Pregação

«O conhecimento que um homem recebe de Deus não pode ser orientado para benefício dos outros, excepto por meio da palavra. E como o Espírito Santo não falta em nada do que pertence à utilidade da Igreja, Ele dá aos membros da Igreja a linguagem. Ele permite  não só que um homem seja entendido por pessoas diferentes, o que pertence ao “dom das línguas”, mas também que fale com efeitos, o que pertence ao “dom da palavra”

«Isto acontece de três formas. Primeiro, em ordem a instruir o intelecto, e este é o caso quando se fala para “ensinar” (doceat). Segundo, em ordem a mover as afeições, para que se ouça com aceitação a palavra de Deus. Este é o caso em que se fala para “agradar” (delectet) aos ouvintes, não com vista ao seu próprio favor, mas para os orientar a ouvir a palavra de Deus. Terceiro, para que se ame o que as palavras significam, e deseje cumpri-lo, e este é o caso em que se fala para “comover” (flectat) o seu auditório. Para efectuar isto o Espírito Santo faz uso da língua humana como de um instrumento. Mas é Ele que aperfeiçoa a obra por dentro. Por isso diz S. Gregório numa homilia de Pentecostes (Hom. xxx in Ev.). “A não ser que o Espírito Santo encha os corações dos auditores, em vão a voz do professo ressoa nos ouvidos do corpo”» (ST II-II 177, 1)