191- Meditação sobre o Corpo de Deus
«Os imensos benefícios que a liberalidade divina concedeu ao povo cristão conferem-lhe uma dignidade inestimável. Não existe nem existiu, com efeito, uma nação grande que tivesse deuses que se aproximassem tanto quanto o nosso Deus se aproxima de nós (cf. Dt 4, 7). O Filho único de Deus querendo tornar-nos participantes da Sua divindade, tomou a nossa natureza e fez-Se homem para fazer de nós deuses. E além disso, tudo aquilo que tomou da nossa natureza, tudo Ele nos conferiu para nossa salvação, pois é para nossa reconciliação que Ele ofereceu a Deus Pai o Seu corpo como hóstia sobre o altar da cruz. Ele derramou o Seu sangue quer como preço da nossa salvação, quer como banho salutar, afim de que, resgatados da triste servidão a que estávamos reduzido, fôssemos de todos os nossos pecados» (Ofício do Corpo de Deus, Nocturno I, Leitura 1)
«Para que de tantos benefícios permanecesse entre nós a memória, Ele deixou o Seu corpo e sangue aos fiéis para que eles O tomassem como alimento e como bebida sob a aparência do pão e do vinho. Oh precioso e admirável festim, salutar e cheio de toda a espécie de suavidade! Que pode, de facto, haver de mais precioso que este festim, no qual se propõe tomar, não a carne de bois e cordeiros como antes sob a Lei, mas de nos alimentarmos de Jesus Cristo, Deus verdadeiro? Que há de mais maravilhoso que este sacramento? Neste sacramento, com efeito, a substância do pão e do vinho mudam-se substancialmente no corpo e sangue de Jesus Cristo. Por isso é Cristo, Deus e homem perfeito, que sob a forma do pão e do vinho está contido.» (Ofício do Corpo de Deus, Nocturno I, Leitura 2)
«Por isso os fiéis O comem mas não o despedaçam. Ele permanece o mesmo, todo íntegro depois da divisão deste sacramento sob cada partícula que provém desta divisão. Os acidentes, sem o sujeito, subsistem no mesmo, para exercer a fé. Quando o visível é tomado pelo invisível, escondido sob uma aparência estranha, os sentidos, que apenas julgam os acidentes pelo exterior, não são enganados. Não há sacramento mais salutar que este, para purificar dos pecados, para dar novas forças e encher o espírito da abundância de todos os dons espirituais. Oferecêmo-lo na Igreja pelos vivos e pelos mortos, afim de que ele sirva a todos, tendo sido instituído para salvação de todos.» (Ofício do Corpo de Deus, Nocturno I, Leitura 3)
«A suavidade deste sacramento ninguém a pode exprimir. Por ele provamos, na sua própria fonte, a doçura espiritual, e lembramos aquela que Cristo, no momento da Sua Paixão, nos deu a conhecer pela caridade infinitamente perfeita. É por isso que, para gravar mais profundamente nos corações dos fiéis a imensidade dessa caridade, na ceia suprema, depois de ter celebrado a Páscoa com os discípulos, devendo deixar a Terra para voltar para Seu Pai, Ele instituiu este sacramento como o memorial perene da Sua Paixão, como plenitude das antigas imagens, como o maior dos milagres operados por Si, e como consolo da sua triste ausência» (Ofício do Corpo de Deus, Nocturno II, Leitura 4) |