57- Mulher e ensino na Igreja

«A uma mulher não deve ser permitido ensinar publicamente na igreja, mas pode dar instrução familiar privadamente. E por isso S. Ambrósio, comentando Lc 24, 22 diz “uma mulher foi enviada aos da sua casa, mas não para dar testemunho da Ressurreição perante o povo”. Mas Cristo aparece às mulheres primeiro, por esta razão, para que a mulher, que foi a primeira a trazer a morte ao homem, seja também a primeira a anunciar a aurora da gloriosa ressurreição de Cristo. Por isso diz S. Cirilo acerca de Jo 20, 17 “A mulher que primeiro foi ministro da morte, é a primeira a ver e proclamar o adorável mistério da Ressurreição. Assim, o sexo feminino conseguiu a absolvição e a remoção da maldição. No que se refere ao estado de glória, ... (ST III 55, 1, 3)

103- Primado do papa

«O Pontífice romano é o primeiro e o maior entre todos os bispos

«O erro daqueles que pretendem que o vigário de Jesus Cristo, o Pontífice de Roma, não tem o primado na Igreja universal parece-se com o daqueles que pretendem que o Espírito Santo não procede do Filho. Pois Cristo Jesus, Filho de Deus, consagra a sua Igreja e marca-a com o sinal do Espírito Santo, como do Seu carácter e selo, o que é manifesto nos escritos dos Padres que citámos antes. Temos agora de provar, pela autoridade dos Padres gregos que esse Vigário de Jesus Cristo possui a plenitude da piedade sobre toda a Igreja. Com efeito, o Cânone do concílio prova expressamente que o Pontífice romano, sucessor de S. Pedro e vigário de Jesus Cristo é o primeiro e o maior de todos os bispos. “Nós confessamos, e está escrito, segundo as Escrituras e a definição dos Cânones, que o santíssimo Pontífice da antiga Igreja de Roma, é o primeiro e o maior de todos os bispos”. Isto é conforme à Sagrada Escritura, que atribui a S. Pedro o primeiro lugar entre os Apóstolos, tanto nos Evangelhos como nos Actos dos Apóstolos. É o que faz dizer a S. João Crisóstomo, no seu Comentário a S. Mateus sobre estas palavras: “Os discípulos aproximaram-se de Jesus dizendo: ‘quem é o maior no Reino dos Céus?’”, “Porque eles estavam escandalizados, sem o poder dissimular, como não podiam comprimir o seu orgulho humilhado, pois que viam que S. Pedro tinham sobre eles a primazia e a honra.

«O mesmo Pontífice tem o primado sobre toda a Igreja de Jesus Cristo

«É igualmente demonstrado que o Vigário de Jesus Cristo tem o primado na Igreja Universal. Lemos no concílio de Calcedónia, que “todo o Sínodo se exclama ao dizer ao papa Leão: ‘Viva o santíssimo pai Leão, apostólico e ecuménico’, ou seja universal. E S. João Crisóstomo sobre S. Mateus: “O Filho concedeu a S. Pedro o poder que vem do Pai e do próprio Filho, sobre todo o universo. E ele deu a um homem mortal a autoridade sobre tudo o que está no Céu, ao confiar-lhe as chaves, para estender a Sua Igreja a toda a Terra”. E na sua Homilia sobre S. João, c.VIII diz: “Ele estabeleceu S. Tiago num só lugar, mas fez de S. Pedro mestre e doutor de todo o universo”. E também sobre os Actos dos Apóstolos: “S. Pedro recebeu do Filho autoridade sobre todos os que lhe pertencem, não como Moisés sobre um só povo, mas em todo o universo.” Isto deduz-se também das Sagradas Escrituras. Pois Nosso Senhor Jesus Cristo confiou a S. Pedro todos as suas ovelhas dizendo (Jo 24) “Apascenta as minhas ovelhas” e no cap. 10 “Para que haja um só rebanho e um só pastor”.

«Ele herdou o poder que Jesus Cristo deu a S. Pedro

«Prova-se que sendo S. Pedro o Vigário de Jesus Cristo e o Pontífice romano sucessor de S. Pedro, este último é o herdeiro do seu poder. Está escrito no Cânone do concílio de Calcedónia:; “Se algum bispo está acusado de infâmia, que ele tenha a liberdade de apelar ao bem-aventurado da antiga Igreja de Roma. Porque temos Pedro, nosso pai, por refúgio, e só a ele pertence o direito, no lugar de Deus, de conhecer a criminalidade de um bispo acusado, pelo poder das chaves que Deus lhe deu”. E mais adiante: “Que tudo o que ele decide seja aceite como do vigário do trono apostólico”. S. Cirilo, patriarca de Jerusalém, disse falando na pessoa de Cristo: “Tu por um tempo e eu eternamente, eu estarei com todos os que colocarei no teu lugar, pela autoridade e os sacramentos, como estou contigo”. S. Cirilo diz, no seu livro Thesaurorum, que “os Apóstolos afirmaram, no Evangelho, e nas suas Epístolas, que para a doutrina, Pedro e a sua Igreja tinham o lugar de Deus, dando-lhe a primazia em todas as reuniões e todas as assembleias, em todas as eleições e em todas as decisões”, e mais adiante: “Todos inclinam a cabeça diante dele (Pedro), de direito divino, e todos os primazes do mundo obedecem-lhe como ao Senhor Jesus”. S. João Crisóstomo diz, falando na pessoa do Filho: “’Apascenta as minhas ovelhas’, quer dizer, está à cabeça dos teus irmãos, em meu lugar.”» (Contra errores Graecorum,  parte 2, c. 32, 33 e 35)

194- A Cabeça e as cabeças da Igreja

«A cabeça influencia os outros membros de duas maneiras. Primeiro, por uma certa influência intrínseca, na medida em que o motivo e a força sensitiva fluem da cabeça para os outros membros. Segundo, por um certo comando exterior, na medida em que pela visão e os sentidos, que estão radicados na cabeça, o homem é guiado nos seus actos exteriores. Ora o influxo interior de graça vem apenas de Cristo, cuja humanidade, através da Sua unidade com a divindade, tem o poder de justificar. Mas a influência sobre os membros da Igreja, no que toca ao seu comando exterior, pode pertencer a outros. E, neste sentido, outros podem ser chamados cabeças da Igreja, de acordo com Am 6, 1 “Vós, grandes homens, cabeças do povo”. Mas de forma diferente de Cristo. Primeiro, na medida em que Cristo é a Cabeça de todos os que pertencem à Igreja em todos os lugares, tempos e estados. Mas todos os outros homens são chamados cabeças da Igreja com referências a certos locais especiais, como bispos das suas igrejas. Ou em referência a determinado tempo, como o papa é a cabeça de toda a Igreja, durante o tempo do seu pontificado. Ou com referência a determinado estado, apenas aos que estão na condição de peregrinos neste mundo. Segundo, porque Cristo é a cabeça da Igreja pelo Seu próprio poder e autoridade, enquanto os outros são chamados cabeças tomando o lugar de Cristo, de acordo com 2Co 2, 10 “Se eu perdoei –na medida em que tinha de o fazer– foi por amor de vós, em lugar de Cristo”, e “É em nome de Cristo, portanto, que exercemos as funções de embaixadores e é Deus quem, por nosso intermédio, vos exorta.” (2Co 5, 20).» (ST III 8, 6)