S. Boaventura foi baptizado como Giovanni de Fidanza (1221-1274), filho de Giovanni de Fidanza e Maria Ritella, nascido na Tuscânia, na cidadezinha de Bagnoregio. Nada se sabe da sua vida até entrar na Ordem Franciscana entre 1238 e 1243, e mudado o nome para “Bonaventura”. A tradição diz que o nome vem de uma exclamação de S. Francisco ao ter uma visão da “boa ventura” no futuro do jovem. Estudou em Paris sob o grande mestre franciscano inglês Alexandre de Hales (11??-1245). Em 1248 recebeu a “licentia docendi”, foi bacharel bíblico de 1248 a 1250, bacharel sententiário de 1250 a 1252 e em 1253 recebeu a licenciatura em Teologia. Possuímos ainda os “Comentários às Sentenças” que escreveu na altura, tal como um resumo deles no “Breviloquium”. Ensinou com grande sucesso até aos tumultos universitários de 1256, que o forçaram a retirar-se.
Em 1259, em Montalverne, escreveu o seu famoso “Itinerarium Mentis in Deum” (“Itinerário da mente para Deus”) e mais tarde a obra metodológica “De reductione Artium ad Theologiam” (“Redução das Artes à Teologia”). A pedido do rei de França, o seu amigo S. Luís, escreveu o “Ofício da Paixão”. Participou também na defesa das ordens mendicantes contra o ataque de Guilherme de Saint-Amour com as “Quaestiones disputatae de perfectione evangelica” (“Questões disputadas sobre a perfeição evangélica”) e o tratado “De paupertate Christi” (“A pobreza de Cristo”). Depois de acalmada a perturbação, recebeu solenemente o grau de doutor, junto com o seu amigo e colega Tomás de Aquino em 1267. Diz a tradição que, apesar de ser mais velho e ter a licenciatura há mais tempo, insistiu que o grau fosse concedido primeiro a Tomás, vencendo a forte resistência deste. Nunca chegou a exercer o cargo de doutor porque nesse ano, a 2 de Fevereiro, fora eleito Geral dos Franciscanos, o sétimo sucessor de S. Francisco.
O momento porque passava a Ordem era grave. Sobretudo por causa da luta entre os chamados “Espirituais”, que defendiam a pobreza extrema de S. Francisco a ponto de caírem na heresia, e os “Relaxati”, que queriam aliviar demasiado o rigorismo. Com caridade mas firmeza, o novo Geral confrontou ambos os lados e impôs a linha que foi consagrada nas chamadas “Constituições Narbonenses” de 1260. Liderou a sua Ordem com sabedoria e atenção, fazendo um Capítulo geral de três em três anos: em Narbonne in 1260, Pisa em 1263, Paris 1266, Assis 1269 e Lião 1274, ao mesmo tempo que o Concílio.
Escreveu a vida de S. Francisco (Legenda Maior Sancti Francisci, 1260-1263, resumida na Legenda Minor). Uma velha tradição diz que nessa altura foi visitado na cela por S. Tomás de Aquino que, vendo-o em êxtase, disse: “Deixemos um santo trabalhar para um santo”. Tratou também da transladação das relíquias de S. António de Lisboa e de S. Clara de Assis (1194-1253). Os trabalhos de reorganização da Ordem foram muitos e difíceis. Teve ainda de a defender de ataques externos, tendo escrito por volta de 1269 o seu “Apologia pauperum” contra Gérard d’Abbeville e os inimigos dos mendicantes.
A sua fama e influência era tanta que foi ele que conseguiu acabar com o longo interregno papal em 1 de Setembro de 1271, convencendo os cardeais reunidos em Viterbo a eleger o santo cardeal franciscano Teobaldo Visconti de Piacenza como Gregório X. Este nomeou-o Arcebispo de York, mas ele pediu ao papa que o poupasse à honra. Em resposta, o pontífice deu-lhe uma ainda maior: a 23 de Junho de 1273 nomeou-o Cardeal e bispo de Albano, uma das Sés sufragâneas de Roma. Diz-se que quando os emissários chegaram com o barrete cardinalício o encontraram a lavar a louça no convento e ele lhes disse para pendurarem o símbolo numa árvore até ele secar as mãos.
O papa entregou-lhe também a orientação do 2º Concílio de Lião que, sob a presidência do próprio pontífice, haveria de tentar a união com a Igreja Ortodoxa. Entretanto, a 20 de Maio de 1274, no Capítulo Geral que convocara para a mesma cidade, foi substituído no generalato da Ordem por Jerónimo de Ascoli, o futuro Nicolau IV (?-1292, papa desde 1288). Morreu subitamente enquanto assistia ao concílio, no Domingo 15 de Julho de 1274. Houve suspeitas de envenenamento.
A fama de santidade foi grande durante a vida e depois da morte. Mas só a 14 de Abril de 1482 foi canonizado por Sixto IV (1414-1484, papa desde 1471), sendo inscrito como Doutor da Igreja por Sixto V (1521-1590, para desde 1585), a 14 Março de 1588.